Grandes Olhos

Grandes olhos (Big Eyes) conta a história verídica da pintora Margareth Keane (Amy Adams) e de seu marido Walter Keane (Christoph Waltz). Margareth possui um estilo próprio, original e sombrio de arte, todas as crianças em suas telas possuem grandes olhos. Em pleno anos 50, uma mulher, divorciada, com uma filha pequena,  não possuía a mesma independência que as mulheres de nosso século atual. Ao ver a oportunidade bater a sua porta, Margareth acaba se casando com Walter, que se apropria da autoria de suas obras, pois o simples fato de ser homem garantiria uma maior aceitação no mercado da arte da esposa. No entanto, Margareth se sente triste, infeliz e extremamente amargurada em não poder assumir a titularidade de seus quadros.

Margareth se vê acuada em uma situação que ela mesma criou e alimentou, fruto de sua passividade sem medidas. Até hoje nós deparamos com questões assim, a mulher não é valorizada e muitas vezes ela mesma não encontra o seu valor, não se acha digna de seguir com seus próprios sonhos. Não precisamos voltar aos anos 50, porque ainda existem mulheres que são oprimidas dentro de casa e que por isso precisam ocultar seus desejos sob os olhos do marido e até mesmo sob violência.

A sensação de impotência e de infelicidade diante da situação que Margareth se encontra, permeia todos os quadrantes do longa. Ela perdeu sua identidade e sua personalidade a partir do momento que se sujeitou as armadilhas feitas por seu marido Walter.

Christoph Waltz tem uma forma única de interpretar seus personagens, por incrível que pareça, ele acaba atuando sempre da mesma forma, no entanto, essa equação implementada fará efeito por muito tempo ainda. Ele é carismático, sedutor, envolvente e possui um porte que atrai. Seus personagens são cativantes. Adoro a atuação de Waltz, mas as vezes me pergunto se um dia esse seu jeito ficará obsoleto e sem sabor.

Amy Adams é uma das atrizes que eu possuo grande simpatia, principalmente por causa de sua comédias românticas, mas ela não acrescentou nada para esse filme que já não tenha sido visto em tantos outros filmes que ela fez. O mesmo rosto, as mesmas expressões, a tristeza no olhar e o ar frágil são características dos personagens que ela interpreta. Sua atuação foi um pouco sem sal e até me arriscaria a dizer que outras atrizes poderiam ter interpretado o papel de Margareth com mais desenvoltura.

O diretor do longa é Tim Burton, o que de certa maneira é surpreendente, pois é o primeiro filme dele que eu vejo sem aquele ar sombrio e estranho que todas as outras obras dele costumam ter. Se você não soubesse que foi Burton que fez, talvez a direção passaria desapercebida. Embora muitas pessoas não gostem do estilo único de Burton, acho que ele possui uma marca registrada em seus longas, o que de fato ele não deve deixar de lado.

O longa é simples, convencional, mas talvez o fato de ser baseado em fatos reais limite em muito a criatividade do próprio diretor, que tenta ser fiel aos detalhes que lhe são expostos. O filme é bom sim, acho que vale a pena assistir, pois possui um significante valor histórico e é interessante saber sobre a vida de Margareth Keane, uma mulher que talvez tenha nascido fora do seu tempo, o que a privou de ter maior independência sobre seus atos.

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