Livre!!!

Livre (Wild, 2014) é baseado em uma história real, o filme conta a vida de Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) que resolve fazer uma trilha de mais de 1700 quilômetros pelos Estados Unidos, pegando a costa do pacífico. Ao longo do caminho ela lida com seu passado, com suas decepções e erros. Por que fazer uma loucura dessas?

Quando você começa a ver o filme você fica se perguntando toda a hora a razão dessa loucura toda, ela simplesmente um dia resolve arrumar uma mochila maior que ela e sair vagando pela Costa do Oceano Pacífico em uma trilha que vai do México ao Canadá. Você não a conhece e não sabe o motivo, mas a história dela vai se descortinando ao longo da viagem. A sua relação conturbada com a mãe, as decepções, drogas, morte, sexo, amor, a cada passo ela lembra de obstáculos em sua vida que foram maiores que essa trilha. No fundo, ela não quer provar nada para ninguém, o objetivo dela não é mostrar que ela é capaz de fazer isso sozinha, o que ela quer de verdade é resgatar dentro dela a coragem e a determinação que ela nunca deu importância.

Acho que chegou um momento que Cheryl viu que ia afundando mais e mais em uma vida vazia, que o caminho que ela estava andando não iria levar em nenhum lugar além da morte. Ela precisava de um estímulo, de um ponto de partida e essa trilha por mais difícil que fosse era uma forma de se reabilitar, de regenerar a força que ela não sabia que possuía.

Reese Witherspoon atuou muito bem no papel da verdadeira Cheryl, fugindo daquele estereótipo de mulher de Hollywood, mostrando que ela é madura o suficiente para papéis mais sérios e exigentes. Reese foi indicada ao Oscar desse ano graças a sua atuação, mas acabou não levando a estatueta.  O diretor do longa é Jean-Marc Vallée, que também dirigiu o filme Clube de Compras Dallas, com Matthew McConaughey e Jared Leto. Acho que esse diretor tem o dom de explorar o melhor dos atores, fazendo com que eles consigam desempenhar divinamente papéis mais complexos.

Para ser honesta, eu passei boa parte dele pensando que eu não teria coragem de fazer uma loucura dessas, ainda mais sozinha. Mesmo se alguém partilhasse da minha insanidade, eu acho que nem acompanhada eu iria. A questão é que o longa traz uma reflexão muito boa, porque faz você pensar também em sua própria vida, talvez na sua vida a trilha seja apenas uma metáfora para algum obstáculo, ou algo que você quer alcançar, mas se acha sem coragem e incapaz. Se Cheryl conseguiu ultrapassar seus próprios limites em busca de um propósito pessoal, porque você não conseguiria fazer o mesmo?

Resumindo, o filme é razoável, eu gostei dele e até achei estimulante, mas não seria um tipo de filme que eu recomendaria, porque a temática em si não agradaria a muitos amigos meus. No entanto, o filme está nos olhos de quem vê, pode ser que você veja e acabe enxergando as mesmas coisas que eu, mas pode ser que ele não seja mais do que uma sessão da tarde, de qualquer forma acho válido dar uma chance para o longa.

Desejo a todos um bom filme e muita pipoca.

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Um Comentário

  1. […] diretor do longa é Jean-Marc Vallée, que também dirigiu o filme Livre com a Reese […]

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