Arquivo para 31 de março de 2015

Livre!!!

Livre (Wild, 2014) é baseado em uma história real, o filme conta a vida de Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) que resolve fazer uma trilha de mais de 1700 quilômetros pelos Estados Unidos, pegando a costa do pacífico. Ao longo do caminho ela lida com seu passado, com suas decepções e erros. Por que fazer uma loucura dessas?

Quando você começa a ver o filme você fica se perguntando toda a hora a razão dessa loucura toda, ela simplesmente um dia resolve arrumar uma mochila maior que ela e sair vagando pela Costa do Oceano Pacífico em uma trilha que vai do México ao Canadá. Você não a conhece e não sabe o motivo, mas a história dela vai se descortinando ao longo da viagem. A sua relação conturbada com a mãe, as decepções, drogas, morte, sexo, amor, a cada passo ela lembra de obstáculos em sua vida que foram maiores que essa trilha. No fundo, ela não quer provar nada para ninguém, o objetivo dela não é mostrar que ela é capaz de fazer isso sozinha, o que ela quer de verdade é resgatar dentro dela a coragem e a determinação que ela nunca deu importância.

Acho que chegou um momento que Cheryl viu que ia afundando mais e mais em uma vida vazia, que o caminho que ela estava andando não iria levar em nenhum lugar além da morte. Ela precisava de um estímulo, de um ponto de partida e essa trilha por mais difícil que fosse era uma forma de se reabilitar, de regenerar a força que ela não sabia que possuía.

Reese Witherspoon atuou muito bem no papel da verdadeira Cheryl, fugindo daquele estereótipo de mulher de Hollywood, mostrando que ela é madura o suficiente para papéis mais sérios e exigentes. Reese foi indicada ao Oscar desse ano graças a sua atuação, mas acabou não levando a estatueta.  O diretor do longa é Jean-Marc Vallée, que também dirigiu o filme Clube de Compras Dallas, com Matthew McConaughey e Jared Leto. Acho que esse diretor tem o dom de explorar o melhor dos atores, fazendo com que eles consigam desempenhar divinamente papéis mais complexos.

Para ser honesta, eu passei boa parte dele pensando que eu não teria coragem de fazer uma loucura dessas, ainda mais sozinha. Mesmo se alguém partilhasse da minha insanidade, eu acho que nem acompanhada eu iria. A questão é que o longa traz uma reflexão muito boa, porque faz você pensar também em sua própria vida, talvez na sua vida a trilha seja apenas uma metáfora para algum obstáculo, ou algo que você quer alcançar, mas se acha sem coragem e incapaz. Se Cheryl conseguiu ultrapassar seus próprios limites em busca de um propósito pessoal, porque você não conseguiria fazer o mesmo?

Resumindo, o filme é razoável, eu gostei dele e até achei estimulante, mas não seria um tipo de filme que eu recomendaria, porque a temática em si não agradaria a muitos amigos meus. No entanto, o filme está nos olhos de quem vê, pode ser que você veja e acabe enxergando as mesmas coisas que eu, mas pode ser que ele não seja mais do que uma sessão da tarde, de qualquer forma acho válido dar uma chance para o longa.

Desejo a todos um bom filme e muita pipoca.

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Além da Vida!

Além da vida (Hereafter, 2010) conta a história de três personagens, que por coincidências do destino acabam se encontrando. George Nolegan (Matt Damon) era um medium conhecido nos Estados Unidos, mas sempre considerou isso como uma maldição e não como um dom, resolvendo abandonar tudo para ter uma vida simples longe da fama. Marie Lelay (Cécile de France) é uma jornalista conhecida na França, mas sua vida acaba mudando por completo quando se viu no caminho de um Tsunami. Marcus (George McLaren) mora na Inglaterra e possui um irmão gêmeo e uma mãe alcoólatra que eles amam muito, mas uma fatalidade do destino faz a vida dele mudar por completo. Essas três pessoas, que não possuem muita coisa em comum, acabam se encontrando em certo ponto de seus vidas tumultuadas.

Esse longa é interessante, pois aborda a vida após a morte, mas de forma bem delicada, porque o objetivo principal não é focar nas pessoas que se foram e sim naquelas que ficaram. O filme fala do drama, da dor, dos traumas e da busca de um consolo. Independente da crença de cada um, o fato de perder alguém muito amado gera uma dor muito grande. Será que essa pessoa se foi para sempre? Ou será que realmente existe um lugar em que o espírito dela ainda vive? Essas são questões que permeiam a humanidade a milênios. É inegável que a morte é um evento triste demais, mas o seu mistério desperta uma atração e uma curiosidade muito grande.

O longa possui cenas muito marcantes como a inicial onde ocorre uma Tsunami, esse desastre traz uma sensação terrível de impotência diante da natureza. Ela mostra que nós somos pequenos em relação ao mundo e que estamos sujeitos a esses eventos que podem ocorrer quando menos esperarmos. A Tsunami é simplesmente uma cena horrível e majestosa do filme, que faz você se colocar no lugar da personagem e imaginar o que faria em determinada situação. O mais triste é pensar que desastres assim já ocorreram e que milhares de pessoas perderam suas vidas ou foram afetadas com esse trauma.

A atuação de todos os atores foi boa. Imaginar Matt Damon no papel de um medium é algo difícil, mas ele atuou bem e trouxe muita simplicidade ao seu papel. Gostei muito de George McLaren, ele é apenas uma criança e conseguiu mostrar sentimentos muito complexos até para um adulto. Eu não sei se já havia visto algum filme com a Cécile de France, mas ela com certeza despertou minha simpatia.

Para quem não sabe, o diretor desse filme é Clint Eastwood e o produtor executivo é o Steven Spielberg. Com essa dupla não tinha como algo dar errado e o longa acaba adquirindo uma leveza e uma delicadeza ao tratar de um assunto tão doloroso quanto a morte. Como consequência dessa parceria, o filme acabou ganhando o Oscar em 2011 por melhores efeitos especiais.

Eu recomendo o filme, ele não teve grande divulgação na época que saiu e dificilmente se vê passando na televisão, mas é um filme bom e emocionante. Acho que quem assiste muitos filmes, vai dizer que este é previsível, mas independente disso é uma obra bem produzida, que não deve ser desmerecida.

Desejo a todos um bom filme e muita pipoca!

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Selma: Uma Luta pela Igualdade

Selma conta a história de um capítulo da vida de Martin Luther King Jr, quando ele tenta ajudar a Cidade de Selma, no Alabama. Embora os negros já tivessem o direito de votar, muitas cidades ainda impediam, de formas ardilosas, que eles conseguissem se registrar como eleitor. Essa luta de King não ocorreu apenas para que os negros de Selma pudessem votar, mas para usar aquela pequena cidade como exemplo para todo os Estados Unidos, pois se você possui direitos, eles devem ser exigidos e se você não os possui, eles devem ser conquistados.

Eu esperava um bom filme, nada demais, já que no Oscar ele chegou a concorrer como melhor filme, no entanto, apenas ganhou por melhor canção original, por causa da música Glory (que só toca no final do longa). Sinceramente, o que eu senti após ver o filme é que o Academy Awards escondeu dos holofotes toda a magnitude e força que esse longa possui. Ele é comovente e emocionante. Aquele que nasce agora, perde toda a luta e o sofrimento que os negros um dia passaram para conseguir a igualdade. A dor, o sofrimento, a segregação, sempre foram obstáculos enormes, que os negros conseguiram superar. Homens como Martin Luther King Jr tiveram seus nomes gravados na história americana por serem grandes homens que lutaram por aquilo que eles de fato acreditavam.

O longa é forte e agressivo. Ao ver o filme eu senti uma dor muito grande no coração, assim como senti em 12 Anos de Escravidão. Não tem como ver algo baseado em fatos reais, ver todo esse sofrimento e não se indignar. O século passado ainda está fresco demais para conflitos assim serem esquecidos. O longa toca fundo na sua alma e faz você pensar como existiram e ainda existem pessoas tão cruéis no mundo, a ponto de anular outra pessoa apenas pela cor da sua pele.

A atuação do ator britânico David Oyelowo, que fez o papel de King foi estupenda, honestamente, não sei como ele nem chegou a concorrer pelo Oscar de Melhor Ator. Ele atuou em filmes que eu nem fazia ideia, como Interestelar (veja o post “Um mundo Novinho em Folha“), O Mordomo da Casa Branca, Jack Reacher, Planeta dos Macacos: A Origem, entre tantos outros. Parece que ele sempre esteve nas telas, mas que apenas agora teve a chance de mostrar toda a sua capacidade e talento como ator.

O longa ainda conta com a presença de Tom Wilkinson, Giovanni Ribisi, Common, Cuba Gooding Jr, Oprah Winfrey, Tim Roth, entre tantos outros atores, que acrescentaram ainda mais sabor ao filme Selma.

Um dos fatos mais surpreendentes foi saber que foi uma mulher que dirigiu o filme, Ava DuVernay. Infelizmente, ainda não vemos muitas mulheres dirigindo, Ava ainda não tem um repertório de filmes muito vasto, mas tenho certeza que se ela continuar dirigindo dessa forma, não há nada que a segure. Sim, eu acho que o nome dela tinha que estar na lista do Oscar, mas, sinceramente, um prêmio não deveria ter o poder de medir a magnitude e o sucesso de alguém.

Filme recomendadíssimo!

Desejo a todos um bom filme e muita pipoca!

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Dois Dias e Uma Noite

O filme Dois Dias e Uma Noite (Deux jours, une nuit) conta a história de Sandra (Marion Cotillard), uma mulher casada, que possui dois filhos e sofre de sérios problemas depressivos. Quando ela descobre que a fábrica em que trabalhava resolveu fazer uma votação entre os funcionários para saber se ela deve ser demitida, ela se vê num impasse, tendo que arranjar forças para lutar por seu emprego. A fábrica ofereceu um abono de mil euros para quem votasse pela saída dela, sendo assim, ela tem que ir atrás de cada empregado que votou, para pedir que desistam de seu abono e votem pela permanência dela no emprego.

Quando eu resolvi ver esse filme, eu nem tinha lido a sinopse e fiquei realmente surpresa com o tema. O longa procura mostrar uma França diferente, longe dos monumentos históricos, do champanhe e dos cafés. Você percebe um país pós-crise, onde um emprego é luxo e cada centavo pode ser um dia a mais com luz e aquecimento em casa. Se não fosse a língua, essa história poderia estar ocorrendo em qualquer outro país como o Brasil, mas o fato de estar ocorrendo na França, em especial, mostra o quão frágil está a economia européia.

No longa vemos uma Marion Cotillard sem qualquer glamour, uma mulher sem maquiagem, magra demais, fragilizada, sem forças, dramática e extremamente depressiva. A atuação dela foi muito boa, pois ela conseguiu transparecer o sofrimento que a personagem sentia, mas eu não acho que ela tenha atuado tão bem a ponto de concorrer ao Oscar de Melhor Atriz. A sensação de franqueza e incapacidade que uma depressão pode causar estava presente em cada passo de Sandra. No entanto, o filme como um todo não foi espetacular, sinceramente, esse é aquele tipo de filme para assistir quando não tiver mais nada de bom passando na televisão.

A direção foi de Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne. Eu já assisti outros filmes franceses, mas nunca dirigidos por eles, esse foi o primeiro. Assim, o repertório dos dois não é muito extenso e esse filme em si não me estimulou o suficiente para procurar outros filmes deles para assistir. O longa é bom, a direção é boa, mas não me agradou, eu não o recomendaria. Se você gosta da atriz e está disposto a ver sua atuação eu acho válido, mas o filme, como um todo, carece de tempero.

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